Tudo que você precisa saber sobre o Treinamento Complementar de Tiro

O Brasil passa por momentos de grande instabilidade na segurança pública, e, infelizmente, essa realidade parece ter se tornando uma rotina, fato que preocupa a população de modo geral. Como reflexo, isso faz com que o mercado de segurança privada seja cada vez mais procurado por pessoas e empresas dispostas a pagar pela sua proteção e a de seus bens. Nesse contexto, para o profissional de segurança, o Treinamento Complementar de Tiro se torna cada vez mais necessário.

Ao logo deste conteúdo, você acompanhará tudo sobre o assunto e poderá esclarecer suas principais dúvidas sobre o Treinamento Complementar de Tiro, além de saber um pouco mais sobre o mercado de segurança e suas diretrizes. Acompanhe!

Mas afinal, o que é o Treinamento Complementar de Tiro?

O Treinamento Complementar de Tiro é um curso que tem como objetivo aprimorar o conhecimento sobre as armas de fogo junto a profissionais de segurança já habilitados, ou seja, aqueles que já passaram pela formação de vigilantes.

O curso ministra conteúdos de instruções de manutenção, séries de tiro e manejo de armas. Uma ótima opção para o profissional que deseja aumentar a sua atuação no mercado de segurança privada, e assim ter mais chances de ser absorvido no mercado de trabalho.

O treinamento tem a finalidade de capacitar os profissionais para questões como o uso seguro e a responsabilidade no manuseio de armas de fogo. Devido a relevância da conscientização dos vigilantes quanto ao manuseio de armas, o curso é ministrado por professores experientes, aptos para transferir o conhecimento teórico necessário e capacitar os profissionais de vigilância para a prática de tiros, atuando diante das mais diversas situações, sempre com o objetivo de defender as pessoas e preservar a vida humana.

O que é preciso para iniciar o curso de tiro?

Para iniciar o Treinamento Complementar de Tiro, a pessoa interessada deve, obrigatoriamente, ter concluído o curso de vigilantes, estar com boa saúde física e mental, apresentar a documentação e se inscrever no curso em instituição credenciada pela Polícia Federal, órgão responsável pela legislação e fiscalização das atividades de segurança privada no país.

Para quais pessoas o Treinamento Complementar de Tiro é indicado?

O Treinamento Complementar de Tiro pode ser ministrado para profissionais que já passaram pela formação profissional de vigilantes e desejam estar aptos para o manuseio de armas de fogo.

O curso também pode ser feito por pessoas que possuam porte de arma e outras profissões em que o uso de armas seja necessário.

Entre os benefícios do Treinamento Complementar de Tiro estão a melhora das habilidades técnicas, que envolvem o aperfeiçoamento sobre os temas relacionados à segurança, defesa pessoal, entre outras questões abordadas no decorrer do curso.

Vale ressaltar, ainda, que a capacitação é voltada para profissionais que desejam atuar de forma legal, responsável e segura. Durante todas as aulas é reforçado que os profissionais de vigilância e segurança devem recorrer ao o uso de armas apenas em situações extremas.

Portanto, é necessário que o profissional esteja preparado para saber conduzir as situações de conflito de forma a colocar em prática todo o seu conhecimento com habilidade e precisão, valorizando a vida humana.

Quais os documentos exigidos para fazer o Treinamento Complementar de Tiro?

Para fazer o treinamento, é necessário que a pessoa seja brasileira, maior de 21 anos, e esteja em dia com as obrigações eleitorais e militares, não ter  antecedentes criminais, ter sido aprovada em exame de saúde física e mental, e estar apto quanto a formação necessária. Além de apresentar a documentação exigida para o Treinamento Complementar de Tiro na instituição credenciada pela Polícia Federal.

Quais as normas do treinamento de tiro?

Considerando os aspectos técnicos, legais e da perícia requerida, o treinamento necessário para utilização correta de uma arma é uma tarefa complexa e que requer muita atenção de todos os envolvidos, sendo que as armas também podem ser consideradas como equipamentos para vigilantes.

Nesse sentido, as normas de treinamento de tiro preveem que o curso deve ser realizado em local adequado para que o aluno possa desenvolver seus aprendizados com relação ao manuseio de armas e conhecer a operação desses equipamentos. Para tanto, ele deve procurar uma escola de formação profissional de vigilância, no caso de pretender atuar como vigilante armado.

É importante lembrar que não é aconselhável tentar aprender a atirar sozinho, nem praticar o tiro em locais inadequados — afinal de contas, o ambiente adequado para praticar é o estande de tiro.

O Treinamento Complementar de Tiro oferecerá ao aluno uma boa noção sobre o manuseio e cuidados que devem ser seguidos ao se portar e manusear uma arma. Listamos para você alguns cuidados importantes.

1. Antes de utilizar uma arma, obtenha informações sobre como manuseá-la com um instrutor credenciado

Tiro não se aprende por tentativa e erro, por isso é importante você saber que armas diferentes podem ter funcionamentos diferentes. Se não tem certeza de como atirar, peça a orientação de alguém capacitado.

2. Aponte a arma, carregada ou não, para onde pretenda atirar

Evite apontar a arma para si mesmo, animais, outras pessoas, paredes ou para qualquer outro lugar que você não tenha convicção do destino que terá o disparo.

3. Considere sua arma sempre carregada

Nunca assuma que uma arma está descarregada e sem munição até fazer todas as verificações necessárias.

4. Mantenha seu dedo estendido ao longo do corpo da arma

Apenas toque no gatilho quando realmente for disparar.

5. Mantenha a arma direcionada para o alvo

Em alguns casos, pode haver um retardamento de ignição do cartucho. Por isso, caso a arma falhe, mantenha-a apontada para o alvo por alguns segundos.
Conhecer as possíveis falhas e respectivas soluções da arma de fogo é parte imprescindível do seu treinamento. Se você ainda não conhece, procure um instrutor capacitado.

6. Jamais teste as travas de segurança da arma acionando a tecla do gatilho

Caso queira verificar o funcionamento da trava de segurança da arma, faça isso em local desabitado.

7. Tenha certeza de que o alvo e o ambiente próximo são capazes de receber os tiros com a máxima segurança

Procure prever a trajetória do projétil antes, durante e após atingir o alvo. Evite atirar em paredes e vidros que possam de forma fácil ser perfurados.

8. Sempre entregue a arma para outra pessoa descarregada

Tire a munição da arma antes de entregar para um terceiro.

9. Oriente as pessoas que tenham acesso a arma sobre as regras de segurança do equipamento

Se mais pessoas tiverem acesso às suas armas, como cônjuges, crianças ou amigos, é importante dar um treinamento básico sobre as regras de segurança da arma.

10. Tenha atenção com possíveis obstruções do cano da arma quando estiver atirando

Caso perceba algo fora do normal, com o recuo ou o som da detonação, pare de atirar e verifique de forma cuidadosa a existência de obstruções no cano; um projétil ou qualquer outro objeto deve ser imediatamente removido, mesmo se tratando de excessiva quantidade de graxa, lama, terra, entre outros, com o objetivo de evitar danos à arma.

Não se esqueça, o Treinamento Complementar de Tiro deve ser ministrado por profissional apto e credenciado pela Polícia Federal!

Qual a legislação sobre porte de armas para seguranças?

O porte de arma para segurança é regido de acordo com o Artigo 7 da Lei 10.826/03, que estabelece que o vigilante tem direito ao porte de arma de calibre permitido .Para efeitos práticos da atividade de vigilante, esses calibres são: pistolas .380, revólveres .32 e .38 SPL, e espingardas calibre 12, 16 ou 20 ­ — conhecidas como escopetas.

A arma de propriedade e responsabilidade da organização contratante, obrigatoriamente precisa ser autorizada pela Polícia Federal. O porte é autorizado apenas durante o trabalho, e, além disso, é preciso manter atualizada a listagem dos colaboradores habilitados a cada seis meses.

Segundo a Portaria 3.233/12 da Polícia Federal, que regulamenta a profissão para seguranças, as atividades de segurança armada abrangem a vigilância patrimonial, transporte de valores, escolta armada e segurança pessoal.

O que é calibre permitido?

O Decreto 3.665/00, que altera o Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados (R-105), determina no Artigo 17 os calibres de armas de uso permitido. Para efeitos práticos da atividade de vigilante, esses calibres são: revólveres .32 e .38 SPL, pistolas .380 e espingardas calibre 12, 16 ou 20.

No entanto, o Exército está redigindo um novo R-105 e algumas normas podem ser alteradas. E ainda encontra-se em tramitação avançada o PLS 18/2017, documento que libera pistolas calibre .40 para vigilantes e também fuzis .556, no caso desses profissionais atuarem com transporte de valores.

Além disso, há o PL 4.340/08, também em tramitação conclusiva, que libera o porte de arma particular fora do serviço para vigilantes. Portanto, tenha cuidado para não confundir as normas atuais com o que ainda não foi sancionado.

Quer saber mais sobre a profissão de vigilante e as áreas que mais contratam seguranças?

Segurança de escolta armada

Esse profissional atua de forma prioritária na segurança de transporte de bens de alto valor, ou seja, joias, documentos e dinheiro. As atividades de um segurança de escolta armada exigem experiência e habilidade, principalmente com armas de fogo. Por isso, é necessário Treinamento Complementar de Tiro para aperfeiçoar as habilidades no manuseio de armas.

Segurança de transporte de valores

Atua prioritariamente em carros fortes com o deslocamento de valores. Por ser uma categoria de risco maior, é necessário que o profissional de segurança tenha um preparo técnico específico e que também envolva treinamento de tiro, assim como o de escolta armada.

Segurança patrimonial

Uma das áreas que mais crescem dentro do mercado de segurança, esse profissional protege todo o patrimônio do cliente contratante. De forma sucinta, ele protege a empresa, os colaboradores e todas as áreas que fazem parte do ambiente em questão, tanto as internas como externas.

Em caso de invasão, ameaça ou violência extrema por parte de meliantes armados, o profissional de segurança deve estar apto para manusear armas de fogo, caso seja necessário.

Segurança pessoal

O objetivo do trabalho do profissional de segurança é garantir a integridade pessoal do cliente. É trabalho do segurança acompanhá-lo em todos os compromissos, certificando seu bem-estar e proteção enquanto estiver sob sua guarda. Dessa forma, o uso de armas de fogo pode ser necessário em caso de risco à integridade física do cliente.

Atualmente, o mercado tem revelado uma grande demanda para profissionais de segurança em grandes eventos.

Mas você sabe a diferença entre posse e porte de arma?

O que é porte de arma?

É importante você saber que porte é diferente de posse. A posse de arma é caracterizada por uma arma de fogo registrada na Polícia Federal no nome de uma pessoa física. Essa arma será abrigada na casa ou empresa do requerente, com eventual autorização de transporte emitida pela Polícia Federal.

Nesse caso, durante o transporte, a arma de fogo precisa ser abrigada no porta-malas, sem munição e parcialmente desmontada. Isso é importante para que ela não dispare por acidente, e caso seja encontrada carregada e pronta para uso, o portador estará sob pena de responder por porte ilegal de arma de fogo.

Já o porte de arma autoriza o indivíduo a “portar, transportar e trazer consigo uma arma de fogo, de forma discreta, fora das dependências de sua residência ou local de trabalho”, pronta para uso, em uma extensão territorial delimitada.

O porte geralmente é estadual, contudo, para pessoas com autorização especial ou para certos cargos públicos, pode ser federal.

Como funciona o porte de arma no Brasil?

O porte de armas no Brasil é regulamentado por meio do Estatuto do Desarmamento(Lei nº 10.826/2003), que desde o ano de 2005. O Estatuto atua como forma de contribuir para a redução da violência no país e balizar o uso de armas pela população.

A posse ilegal de armas culmina na prisão do infrator por um a três anos, além do pagamento de multa. Em relação ao porte de arma sem a devida permissão, não é possível pagar fiança, logo é gerado uma pena de reclusão (obrigatoriamente em regime fechado) de dois a quatro anos de prisão e multa.

O que é necessário para obter o porte arma?

Para portar uma arma de fogo, conforme descrito no art. 17 do Decreto nº 3.665/2000, para defesa pessoal, o solicitante deve comprovar junto à Polícia Federal que preenche os seguintes requisitos:

  • idade mínima de 25 anos;
  • cópias autenticadas do RG, CPF e comprovante de residência;
  • foto 3×4 recente;
  • comprovar idoneidade, apresentando certidões negativas criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral;
  • elaborar uma declaração por escrito expondo os fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido de aquisição de arma de fogo, demonstrando a efetiva necessidade;
  • comprovar que não está respondendo a inquérito policial ou processo criminal (vide exemplo);
  • comprovação de ocupação profissional lícita;
  • aptidão psicológica, que deverá ser atestada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal (lista de psicólogos credenciados: http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/credenciamento-psicologos/psicologos-crediciados);
  • capacidade técnica, que deverá ser atestada por instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal;
  • entregar o requerimento de autorização para aquisição de arma de fogo preenchido (disponível no site do DPF – http://www.pf.gov.br/servicos-pf/armas/form-sinarm);
  • pagar taxa de emissão de certificado de registro de arma de fogo (em média R$ 60,00), caso seja deferido o pedido;
  • após a apresentação dos documentos, a Polícia Federal pode julgar que o requerente está apto para portar a arma, e a pessoa receberá uma autorização para aquisição da arma.

Após isso, a compra da arma pode ser feita, mas o requerente ainda não terá acesso a ela, já que antes de recebê-la é preciso apresentar a nota fiscal à Polícia Federal para que seja emitido o registro da arma.

Com o registro em mãos, o solicitante deve comparecer ao estabelecimento que comercializa a arma para receber o equipamento e o certificado de porte, que é de cinco anos. Todo esse processo dura em média 30 dias.

É possível o vigilante ter porte de arma fora do serviço?

A Lei 10.826/03, em seu artigo 10, que regulamenta a autorização do porte de armas de modo geral, prevê que qualquer cidadão pode solicitar o porte de arma, se “demonstrar a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física”, além de cumprir com as demais exigências.

Nesse contexto, os profissionais de segurança têm uma probabilidade maior de conseguir o porte particular, utilizando esse dispositivo do que as outras pessoas, visto que atuam no segmento de segurança privada, tendo experiência com o manuseio dos equipamentos, além de existir a eminência de serem alvos de criminosos.

Após o treinamento, é preciso continuar praticando o tiro?

Após o término do treinamento, é necessário continuar praticando os tiros em ambientes autorizados e monitorados. Isso porque, se o profissional não treinar de forma constante, pode perder a destreza no manuseio do equipamento.

Assim, para estar preparado para sacar e atirar com precisão, o treino deve ser constante. Além disso, o treinamento deve ser o mais próximo possível da realidade.

Qual deve ser a conduta do vigilante ao portar uma arma?

O profissional de segurança deve seguir uma série de recomendações antes de sacar a arma e efetuar um disparo. Entre os principais atitudes estão a gestão de crise, cujo objetivo é preservar a vida e aplicar a lei.

É importante o vigilante ter a consciência de que o disparo apenas deve acontecer em último caso, e mesmo assim, o profissional deve emitir uma advertência. Caso o criminoso continue a desacatar a ordem, o profissional deve entrar em ação e tentar imobilizá-lo com um tiro em local que não ofereça risco de morte, como perna ou braço.

Somente se o infrator estiver armado e aferir um ataque é que um novo disparo pode ser feito e acertar, dessa forma, outras partes do corpo.

Nesse sentido, a disciplina de gerenciamento de crise prepara o profissional de segurança para lidar com esses impasses do seu cotidiano, transmitindo as técnicas corretas para cada caso. Atitudes de prevenção podem impedir ou dificultar uma ação criminosa.

Por isso, o profissional de segurança precisa estar apto, física e emocionalmente, para trabalhar com equilíbrio em um ambiente em caos, já que essa situação tende a culminar em tumultos e ânimos alterados.

Quais os benefícios que o Treinamento Complementar de Tiro traz?

Esse tipo de treinamento traz diversos benefícios para o profissional de vigilância. Acompanhe três exemplos!

Melhora a sua capacidade de defesa

Para aqueles profissionais que passaram por todas as etapas do Treinamento Complementar de Tiro e conquistaram o porte legal de armas e respectivo registro, a formação complementar proporciona maior chance de defesa em caso de um ataque criminoso, não só do próprio indivíduo, mas de familiares e de pessoas próximas em situações de perigo real.

Aprimora várias habilidades

Rapidez, equilíbrio, precisão, capacidade de pensar estrategicamente e diversas outras habilidades fundamentais para o nosso cotidiano são desenvolvidas e aprimoradas no decorrer do treinamento com armas de fogo. E não é só isso — aprender a atirar também aprimora a capacidade analítica dos profissionais de segurança.

Beneficia sua saúde mental

Atirar pode ajudar você na manutenção da sua saúde emocional e metal. A prática de tiros, se realizada de forma segura, contribui para o alívio de tensões, ajuda no combate de ansiedades e estado de estresse, acelera a frequência cardíaca, e proporciona uma sensação de bem-estar quando você acerta o alvo. Além disso, a capacitação de tiro mexe com o lado emocional, preparando o profissional para situações de grande pressão.

Finalmente, tenha em mente que o uso de armas para segurança depende tanto da habilidade e preparo do profissional quanto da arma em si. Dessa forma, é relevante ter um aprendizado sólido e passar por uma escola de formação de vigilantes preparada e de credibilidade no mercado, que ajude você verdadeiramente para os desafios da profissão.

Mesmo sendo uma atividade em franco crescimento, ela envolve grande responsabilidade, e o Treinamento Complementar de Tiro vem para lhe capacitar ainda mais para esses desafios.

Se você gostou deste material sobre Treinamento Complementar de Tiro, entre em contato e se capacite com a gente!

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